São Paulo elegeu o melhor pastel da cidade, entre mais de 700 barraquinhas de feiras livres paulistanas.
No Rio, já dei o meu voto para um.
Quem mais quer votar?
27.10.09
26.10.09
Duas do Carpinejar sobre a fidelidade
Sou fã compulsiva e incondicional do Fabricio Carpinejar. Esta no meu pódio de poetas contemporâneos preferidos. Acompanho o blog dele com voracidade e, a cada texto novo, uma alegria.
Abaixo transcrevo dois sobre um mesmo tema, a fidelidade.
Os originais, aqui.
OU ENTRA EM TRATAMENTO OU TERMINA O NAMORO
Fabrício Carpinejar
A infidelidade já não é um problema, e esse é um problema. Tudo é normal, ou nos normalizamos rapidamente com qualquer coisa, a tal ponto que não existe anormalidade.
Ter uma iniciação sexual com cabra, participar de swing comunitário, revelar seus desejos por uma cicatriz na perna; nada mais assusta. Nada mais é motivo de pânico e debate para fechar um bar. O cineasta Walther Hugo Khouri não acharia mais nenhum tema para polemizar. Morreu antes dos tabus entrarem em crise criativa.
Depois do sexo livre, da amizade colorida e do mergulho na lama, a monogamia virou um preconceito.
Os terapeutas, psicólogos e psiquiatras ajudaram a tornar o dia-a-dia viável. Em contrapartida, as próprias traições. Óbvio que eles não têm culpa disso. Ninguém deve guardar culpa de nada.
A moral agora é não sofrer com a moral, o que parece um paradoxo. Temos que nos aceitar como não somos.
Você trai, logo confessa para o terapeuta e se acostuma com a idéia. Busca capturar o motivo de pular a cerca – aprende que não importa o resultado, o propósito é descobrir a origem da compulsão. E pula a fazenda inteira para respeitar a naturalidade das suas atitudes. Mergulha numa nova fase: a palavra alivia o silêncio; lavou na palavra, está novo.
Antes os casais se traíam para procurar uma satisfação que não encontravam no casamento. Hoje você pode estar satisfeito no casamento e ainda trair. O prazer em dia não é o bastante para segurar o amor. Os pares querem fantasias. Há uma obrigação pelas fantasias. Quem não tem uma fantasia exótica fora de casa não é moderno. Quem não tem uma fantasia extravagante fora do corpo não é pós-moderno.
E fantasia não é planejada. É na hora, do jeito que vier, pelo desafio, no calor da casualidade. Quanto maior a surpresa, maior o arrebatamento. A fantasia é incontrolável, contrariando em cheio o voto e o esforço de um casamento. Fácil de ser justificada; basta alegar que foi um disparate, uma atitude impensada. Não tem que prestar contas e cuidar do reencontro. Essencialmente provisória. Como uma bebedeira.
Um amigo, por exemplo, acabou pressionado pela namorada a resolver sua obcecada canalhice. Não admitia a fragilidade dele nas noitadas, os olhares lânguidos por baixo dos panos e das pálpebras, os esbarrões involuntários e o papo fiado com a mulherada nos corredores. Levantou a bandeira: ou entrava em tratamento ou ela terminava com o namoro. Apaixonado, ele desistiu de sua desconfiança com o consultório, que julgava perda de tempo, e assumiu o vício.
Ao invés de trair menos, passou a trair mais para arrumar assunto com o terapeuta. Está com analista até hoje – a única relação que perdurou em sua vida.
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Domingo, Outubro 25, 2009
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INFIDELIDADE FEMININA
Fabrício Carpinejar
Não sei se as mulheres sabem trair melhor os homens ou eles são tão ciumentos que não escolhem os verdadeiros indícios.
Certo é que os homens são precipitados, revelam suas escapadas para tentar inclusive salvar o casamento. Ficam engatilhados com o pecado, ansiosos, esperando o primeiro cutucão do silêncio para disparar a confissão (o negócio é deixar a televisão sempre ligada). As mulheres só revelam como um ultimato, quando estão dispostas a terminar de vez com o casamento e não acharam nenhuma maneira cortês de mandá-lo embora.
O homem é corno desde o ventre, quando perde a exclusividade de sua mãe. Depois resta como consolação ser manso ou ativo.
Por prevenção, repasso dicas para se manter atento às investidas dela.
As traições femininas costumam irromper no ambiente de trabalho. Com a falta de tempo, o entusiasmo sexual se revela pela cumplicidade profissional. Não será muito longe do escritório. Ela vai começar a elogiar uma parceria, dedicar-se a um projeto com uma disposição sobrenatural, tomando as horas de lazer e os finais de semana. Não falará de outra coisa e se penalizará diante do término da sexta-feira. Pode esquecer a sesta. Qualquer reclamação de sua parte cairá mal, como ciúme da independência dela. Não há o que palpitar, todo comentário correrá o risco de ser enquadrado como machismo.
Diante da inoperância de sua reação, ela vai elogiar o sujeito daquela parceria, destacar o raro entendimento dos problemas, a afinidade de preferências e escolhas.
Entrou no jogo de insinuações, sem nota fiscal. Tipo assim: você não é aquilo que ele é.
Controle-se, ainda não é oportuno meter o bedelho, apesar de perceber que o cara se tornou assunto obrigatório e referência constante nas conversas. Deve compreender que ele levantou a estima de sua parceira e, por conseqüência, possibilitou sua sonhada liberação para o futebol. É um amigo, coloque na cabeça, não é elegante isolá-la das amizades heterossexuais. Soa como tirania. Precisa confiar. Cuidará antes da úlcera que surgiu, sem explicação nenhuma, na última semana. Volte para academia e tome menos café.
O próximo passo é definitivo. Num jantar prosaico, com o claro objetivo de relaxar, ela criticará abertamente a namorada dele com uma paixão incomum, unicamente vista no início da relação de vocês. Comentará defeitos, exemplificará cenas de descaso e abrirá detalhes estranhos do convívio dos dois. Em seguida, sentirá uma coceira na garganta: “Como ela conhece tanto?” A coceira atinge à úlcera que não teve tempo de curar: “Será que ela confidencia o mesmo de mim?”
Duro aturar o processo, mas permaneça tranqüilo, enfrentou o pior com dignidade; ela não dirá mais nada pela frente. É o momento de procurar ajuda. Ou porque ela está o traindo ou porque você está seriamente paranóico.
Abaixo transcrevo dois sobre um mesmo tema, a fidelidade.
Os originais, aqui.
OU ENTRA EM TRATAMENTO OU TERMINA O NAMORO
Fabrício Carpinejar
A infidelidade já não é um problema, e esse é um problema. Tudo é normal, ou nos normalizamos rapidamente com qualquer coisa, a tal ponto que não existe anormalidade.
Ter uma iniciação sexual com cabra, participar de swing comunitário, revelar seus desejos por uma cicatriz na perna; nada mais assusta. Nada mais é motivo de pânico e debate para fechar um bar. O cineasta Walther Hugo Khouri não acharia mais nenhum tema para polemizar. Morreu antes dos tabus entrarem em crise criativa.
Depois do sexo livre, da amizade colorida e do mergulho na lama, a monogamia virou um preconceito.
Os terapeutas, psicólogos e psiquiatras ajudaram a tornar o dia-a-dia viável. Em contrapartida, as próprias traições. Óbvio que eles não têm culpa disso. Ninguém deve guardar culpa de nada.
A moral agora é não sofrer com a moral, o que parece um paradoxo. Temos que nos aceitar como não somos.
Você trai, logo confessa para o terapeuta e se acostuma com a idéia. Busca capturar o motivo de pular a cerca – aprende que não importa o resultado, o propósito é descobrir a origem da compulsão. E pula a fazenda inteira para respeitar a naturalidade das suas atitudes. Mergulha numa nova fase: a palavra alivia o silêncio; lavou na palavra, está novo.
Antes os casais se traíam para procurar uma satisfação que não encontravam no casamento. Hoje você pode estar satisfeito no casamento e ainda trair. O prazer em dia não é o bastante para segurar o amor. Os pares querem fantasias. Há uma obrigação pelas fantasias. Quem não tem uma fantasia exótica fora de casa não é moderno. Quem não tem uma fantasia extravagante fora do corpo não é pós-moderno.
E fantasia não é planejada. É na hora, do jeito que vier, pelo desafio, no calor da casualidade. Quanto maior a surpresa, maior o arrebatamento. A fantasia é incontrolável, contrariando em cheio o voto e o esforço de um casamento. Fácil de ser justificada; basta alegar que foi um disparate, uma atitude impensada. Não tem que prestar contas e cuidar do reencontro. Essencialmente provisória. Como uma bebedeira.
Um amigo, por exemplo, acabou pressionado pela namorada a resolver sua obcecada canalhice. Não admitia a fragilidade dele nas noitadas, os olhares lânguidos por baixo dos panos e das pálpebras, os esbarrões involuntários e o papo fiado com a mulherada nos corredores. Levantou a bandeira: ou entrava em tratamento ou ela terminava com o namoro. Apaixonado, ele desistiu de sua desconfiança com o consultório, que julgava perda de tempo, e assumiu o vício.
Ao invés de trair menos, passou a trair mais para arrumar assunto com o terapeuta. Está com analista até hoje – a única relação que perdurou em sua vida.
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Domingo, Outubro 25, 2009
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INFIDELIDADE FEMININA
Fabrício Carpinejar
Não sei se as mulheres sabem trair melhor os homens ou eles são tão ciumentos que não escolhem os verdadeiros indícios.
Certo é que os homens são precipitados, revelam suas escapadas para tentar inclusive salvar o casamento. Ficam engatilhados com o pecado, ansiosos, esperando o primeiro cutucão do silêncio para disparar a confissão (o negócio é deixar a televisão sempre ligada). As mulheres só revelam como um ultimato, quando estão dispostas a terminar de vez com o casamento e não acharam nenhuma maneira cortês de mandá-lo embora.
O homem é corno desde o ventre, quando perde a exclusividade de sua mãe. Depois resta como consolação ser manso ou ativo.
Por prevenção, repasso dicas para se manter atento às investidas dela.
As traições femininas costumam irromper no ambiente de trabalho. Com a falta de tempo, o entusiasmo sexual se revela pela cumplicidade profissional. Não será muito longe do escritório. Ela vai começar a elogiar uma parceria, dedicar-se a um projeto com uma disposição sobrenatural, tomando as horas de lazer e os finais de semana. Não falará de outra coisa e se penalizará diante do término da sexta-feira. Pode esquecer a sesta. Qualquer reclamação de sua parte cairá mal, como ciúme da independência dela. Não há o que palpitar, todo comentário correrá o risco de ser enquadrado como machismo.
Diante da inoperância de sua reação, ela vai elogiar o sujeito daquela parceria, destacar o raro entendimento dos problemas, a afinidade de preferências e escolhas.
Entrou no jogo de insinuações, sem nota fiscal. Tipo assim: você não é aquilo que ele é.
Controle-se, ainda não é oportuno meter o bedelho, apesar de perceber que o cara se tornou assunto obrigatório e referência constante nas conversas. Deve compreender que ele levantou a estima de sua parceira e, por conseqüência, possibilitou sua sonhada liberação para o futebol. É um amigo, coloque na cabeça, não é elegante isolá-la das amizades heterossexuais. Soa como tirania. Precisa confiar. Cuidará antes da úlcera que surgiu, sem explicação nenhuma, na última semana. Volte para academia e tome menos café.
O próximo passo é definitivo. Num jantar prosaico, com o claro objetivo de relaxar, ela criticará abertamente a namorada dele com uma paixão incomum, unicamente vista no início da relação de vocês. Comentará defeitos, exemplificará cenas de descaso e abrirá detalhes estranhos do convívio dos dois. Em seguida, sentirá uma coceira na garganta: “Como ela conhece tanto?” A coceira atinge à úlcera que não teve tempo de curar: “Será que ela confidencia o mesmo de mim?”
Duro aturar o processo, mas permaneça tranqüilo, enfrentou o pior com dignidade; ela não dirá mais nada pela frente. É o momento de procurar ajuda. Ou porque ela está o traindo ou porque você está seriamente paranóico.
21.10.09
Programa com charme
Sou fã do Meza Bar. Comidinhas maravilhosas, drinques bem temperados, ambiente cool, boa música... Opa, falando em música, o DJ Corello, residente do baile charme do viaduto de Madureira, toca no bar gourmet do Humaitá terça que vem, às 22h. É a quinta edição do Vinil no Meza, projeto que recebe um DJ mensalmente para azeitar ainda mais trilha sonora do lugar, sempre com vinil. Imperdível.
Gastronomia nos arredores
20.10.09
Ele vai tocar na Zona Sul...
14.10.09
13.10.09
Alguns encontros de navegante
Eu gosto de encontrar coisas na internet. E de acompanhar blogs. E de descobrir pessoas, talentos de pessoas, amigos que nunca me conhecerão. O Fabricio Capinejar eu acompanho há tempos. Comecei a acompanhar sua escrita quando fui mãe e me envolvi com a literatura aconchegante sobre os filhos. E foi ótimo ler o Meu filho, Minha filha, esse aconchego sob a ótica de um pai. Depois descobri a coluna dele na Crescer. E o blog dele, aqui. E hoje o considero um dos maiores poetas brasileiros da atualidade.
E nessa de seguir o Carpinejar, eu descobri o blog do Vicente, um menino de 7 anos que já é poeta com a naturalidade e a sabedoria típicas da infância. Isso faz dele ainda melhor poeta do que o pai.
Depois de descobrir o Vicente, eu descobri a Cínthya. Engraçado é pensar que toda essa gente nem desconfia que eu existo. E nem precisam. Saber a identidade de cada leitor tiraria um bom tanto da naturalidade de blogar e só quem bloga sabe o quanto é confortável o não saber e o anonimato dos que te seguem.
Ontem descobri que a Cínthya compõe e grava aqui. Lembrei dos meus longínquos 15 anos, quando eu também compunha. E tirei a poeira do violão, para a melancolia tomar conta dos meus dedos enferrujados. Tocar violão não é como andar de bicicleta. Definitivamente. Bom, então deixa que a Cínthya toca.
E nessa de seguir o Carpinejar, eu descobri o blog do Vicente, um menino de 7 anos que já é poeta com a naturalidade e a sabedoria típicas da infância. Isso faz dele ainda melhor poeta do que o pai.
Depois de descobrir o Vicente, eu descobri a Cínthya. Engraçado é pensar que toda essa gente nem desconfia que eu existo. E nem precisam. Saber a identidade de cada leitor tiraria um bom tanto da naturalidade de blogar e só quem bloga sabe o quanto é confortável o não saber e o anonimato dos que te seguem.
Ontem descobri que a Cínthya compõe e grava aqui. Lembrei dos meus longínquos 15 anos, quando eu também compunha. E tirei a poeira do violão, para a melancolia tomar conta dos meus dedos enferrujados. Tocar violão não é como andar de bicicleta. Definitivamente. Bom, então deixa que a Cínthya toca.
9.10.09
Press & Fofoca
Para quem está no twitter e gosta de fofocas de bastidores das redações, assessorias e mercado de comunicação em geral, a Rádio Coleguinha segue bem essa linha.
Veja Rio Comer & Beber 2009/2010
Particularmente adorei as novas categorias, apesar de alguns resultados um tanto esquisitos. Mais aqui.
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